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miltinho palmeirense

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REVISTA GARÇA EM DESTAQUE – EDIÇÃO Nº 60
DESTAQUE DO MÊS – ABRIL
Miltinho Palmeirense: 29 anos transformando dor em propósito
Nesta edição especial, a Revista Garça em Destaque tem a honra de conceder o título de Destaque do Mês a Milton Cezar Costa Fabrício, o Miltinho Palmeirense — uma história marcada pela superação, luta e contribuição à comunidade garcense.
11 de maio de 1997.
Um dia que mudou tudo.
“Eu morri e renasci no mesmo dia.”
“Eu morri no dia 11 de maio de 1997. E renasci no mesmo dia, mas sem mexer do pescoço pra baixo.”
É assim que Milton Cezar Costa Fabrício, conhecido carinhosamente como Miltinho Palmeirense, 59 anos, nascido em Garça em 19 de junho de 1966, resume sua própria trajetória.
Criado na Vila Mariana, estudou até a quinta série e aprendeu com o pai a profissão de soldador. Foram mais de 20 anos de trabalho duro como soldador elétrico na Constroli Projetos e Construções LTDA.
Ainda jovem, deixou o emprego e abriu, ao lado da esposa, um bar na Rua Barão do Rio Branco, nº 1052, na Vila Mariana. O local virou ponto de encontro de amigos e de times de futebol. Miltinho sempre foi assim: palmeirense roxo, gente boa, da resenha. Jogava bola no time de futebol suíço Eletrônica. O último jogo foi justamente em 11 de maio de 1997, horas antes de tudo mudar.
No trajeto para Marília, o carro capotou e parou em um cafezal.
Fratura na C5/C6, lesão medular e tetraplegia espástica.
Perdeu os movimentos do pescoço para baixo.
Vieram dois anos acamado, dependente para tudo.
“Teve época que os amigos e funcionários do Posto Jóia, o Jorge Luiz Bernardes e o Marcos Roberto Ribeiro, iam lá em casa me carregar no colo pro chuveiro. Só pra eu sentir a água cair no corpo. Parece pouco? Pra mim era o mundo. Era o que me lembrava que eu ainda tava vivo.”
Mas ele nunca esteve sozinho.
A esposa foi seu alicerce. E a fisioterapeuta Mariza Guerreiro foi quem acreditou antes dele.
“Ela falava: você vai andar. E eu nem sentia as pernas.”
O time da Eletrônica custeou três anos de fisioterapia em casa. Amigos que não soltaram sua mão.
Entre as sessões na piscina do Centro Esportivo Social e muita teimosia, da cadeira de rodas veio o andador. Cada dedo mexendo, uma guerra vencida.
Aí Miltinho fez o que sabe melhor: lutou.
Sem faculdade, passou a estudar leis. Bateu na porta de prefeito, juiz, vereador. Foi chamado de encrenqueiro.
“Não tô pedindo favor. Tô cobrando direito.”
E fez história.
Miltinho é o único cidadão garcense que denunciou os três poderes — Judiciário, Executivo e Legislativo — e venceu.
Por decisão, os prédios públicos tiveram que se adequar conforme a Lei Federal 5.296/2004, a ABNT NBR 9050 e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015).
As rampas surgiram. Os elevadores também.
A cidade mudou.
Ajudou a fundar a ADG – Associação dos Deficientes de Garça, em 04 de agosto de 2010, ao lado de Letterio Santoro, Luiz Aparecido Cabral (in memoriam) e Cílso Aparecido Costa Lima.
Foi presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Garça e atuou como delegado usuário do SUS nas conferências municipal, regional, estadual e federal em 2012.
Desde 2007, realiza trabalho voluntário voltado à acessibilidade no município, fiscalizando, orientando e cobrando o poder público.
Sempre atuante na defesa das pessoas com deficiência, Miltinho também construiu pontes importantes com lideranças e representantes públicos, levando as demandas da inclusão para outras esferas.
Mesmo na condição de cadeirante, também desenvolveu um trabalho humano e solidário ao lado de membros da Igreja Católica, participando de visitas a presídios da região de Garça, levando palavras de fé, conforto e esperança às pessoas privadas de liberdade.
Nos últimos anos, após a extinção da ADG, esteve mais afastado das atividades públicas. Mas, em 2026, voltou a demonstrar sua força e compromisso com a comunidade.
Por meio de articulação política, conquistou uma importante emenda parlamentar no valor de R$ 100 mil, destinada ao Lar dos Velhos Frederico Ozanam, recurso que será fundamental para o cuidado e bem-estar dos idosos atendidos pela instituição.
O gesto marca não apenas uma conquista significativa, mas também um novo olhar de Miltinho para outras causas sociais, ampliando ainda mais seu legado de solidariedade.
“11 de maio é meu segundo aniversário. Porque naquele dia eu decidi: ou eu virava estatística, ou virava exemplo.”
Miltinho escolheu ser exemplo.
Com fé, coragem e o apoio de amigos que nunca soltaram sua mão, transformou a dor em propósito. A adversidade mudou o caminho, mas nunca definiu seu destino.
A verdadeira força não está apenas em se levantar… mas em levantar também quem está ao seu lado.
A Revista Garça em Destaque, em sua edição nº 60, reafirma seu compromisso em valorizar pessoas que lutam pela comunidade garcense. Miltinho Palmeirense é um exemplo de superação, cidadania e solidariedade — alguém que, mesmo diante das limitações, segue contribuindo e inspirando toda uma comunidade.

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